Saindo de casa

Window & Ladder - Leandro Erlich

Amar é mudar a alma de casa ▬ Mário Quintana

Algumas frases logo quando as escutamos ou lemos, de bate - pronto vão de encontro as nossas mentes, como se soubessem que de lá já fazem parte, mesmo que não tivéssemos a noção da existência delas, elas ficam de um lado para o outro quase que dançando em nós, até que enfim encontram o sentido, e fazendo morada em nós. Essa frase do Grande poeta Mario Quintana é um exemplo disso pra mim. Logo que coloquei os olhos nela, ela se encontrou em mim, como se tivesse uma certeza semelhante, ou mesmo idêntica dentro do meu ser, e de fato há.

Mas ao mesmo tempo em que ela encontrou morada em mim, me fez refletir sobre essa certeza, que a ela atraiu.

Amar é mudar a alma de casa, mas mudar pra onde e por quê?

Amar é sair de sua casa, de onde você encontra segurança, abrigo e conforto, amar é romper com as barreiras que as paredes de sua casa impõem, é se despir de toda a sua suposta segurança com barreiras ao seu redor, e se alçar em outras direções, é nunca se fechar em si.

Talvez fosse isso que Jesus quisesse dizer quando falou que não tinha casa, e foi isso que Ele demonstrou em toda a sua vida, ao se lançar pra o encontro de outros, se despindo de toda e qualquer segurança que muros pudessem dar.

Amar é a mais bela e mais profunda forma de protesto, é um grito no silencio para uma sociedade que se mantém calada e omissa, escorada em seus próprios muros que separam a todos. Talvez seja por isso que Ele chocou tanto as pessoas de sua época, porque foi um grito tão forte e potente que os ouvidos das pessoas acostumados ao silencio não podiam aguentar, e tentaram calar, e quando o fim desse grito se anunciou, como disse Pedro nem a morte pode conte-lo, e ressurgiu ainda mais forte, e ecoa até hoje.

Esse é o Amor que Paulo não pôde definir como sentimento humano mas como dom de Deus de tão divino e sobre-humano que é. Esse é o Amor daquele Homem humilde de Nazaré, e não esse sentimento enlatado que se vende nas prateleiras das emoções vazias.

- Isaac Palma (@isaacpalma1)

// A imagem utilizada acima é uma instalação do artista plástico Leandro Erlich. Conheça aqui o trabalho dele.

MEU Teto Para Meu País

Um Teto Para Meu País é uma ONG presente em 18 países da América Latina e que teve seu início em 1997, no Chile. No Brasil o TETO possui base em São Paulo desde 2006.

“Queremos denunciar a realidade das comunidades carentes em que vivem milhões de pessoas na América Latina e envolver a sociedade como um todo, fazendo com que se comprometam, com a tarefa de construir um continente mais solidário e sem a injustiça da pobreza”

Motivado por objetivos tão difíceis e pela dimensão continental dessa desejada mudança me candidatei a essa experiência. O objetivo era o maior da organização no Brasil, a construção de 100 casas em 5 dias, em três favelas de Osasco e uma de Guarulhos.

Márcio Ramos


A situação da favela da Padroeira-Osasco não é diferente das favelas cariocas, construções inacabadas, falta de saneamento básico, irregularidade fundiária e violência. E o trabalho lá foi pesado, dormíamos quase sempre depois da meia noite e acordávamos as 6, carregávamos painéis de até 200 kg, cavávamos, martelávamos, quebrávamos pedra, entrávamos em fossas… Mas a alegria das famílias em começar a ver as paredes sendo levantadas nos animava.

Para quase todos os voluntários ali essa era uma realidade totalmente desconhecida e mesmo para os voluntários veteranos muitas vezes as construções são a única oportunidade de se entrar em uma favela…  Favela x Comunidade? Barraco x Casa? … O que nós realmente queremos aprender com essas pessoas? E o que nós realmente já trazemos como regra?

Márcio Ramos


Após cinco dias de esgotamento total e superação de limites, muitos voltam para casa com a sensação de dever cumprido, outros, por algum motivo sentem-se menores do que quando chegaram, e percebem que talvez repartir a própria casa com quem não tem nenhuma é um pouco mais complicado, talvez construir um país mais justo necessite não apenas de uma boa ação ou a busca de alívio para uma ‘culpa social’, mas sim abrir mão do que é seu, igualar.

Espero poder estar presente nas próximas construções do TETO, para que outras pessoas saibam, assim como o Donizete, Elizângela, Dona Silvia e Alex, que há quem se importe. Mais de 200 mil jovens de toda a América Latina resolveram se mexer, mesmo sabendo que sozinhos, eles não mudarão nada.

Sua cadeira está confortável?

- Wallacy Coelho

Atenção: No dia 20 de agosto, o pessoal do Teto estará realizando uma grande coleta. Trata-se de uma ação nas ruas de São Paulo para arrecadar recursos para as próximas construções. Eles estão precisando de voluntários, veja mais informações.

(Algumas das imagens utilizadas são de autoria de Márcio Ramos.)

"Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença, sem se sentir melhor e mais feliz."

Madre Teresa

A História da Água Engarrafada



Os dados do vídeo são referentes à realidade dos EUA. Acredito que no Brasil a coisa seja ainda pior, já que temos a cultura do “galão de água” disseminada por aqui. Uma aberração em um país tão abundante no quesito H20.

Agradecimento aos tradutores Guilherme Machado, Michele Sato e Patrícia Fish. Retirado do DOC VERDADE, blog imperdível sobre documentários. Vale a visita.

- willian

O fim de um ciclo



A equipe do One Day SP chegou ao fim de um ciclo de sua nova fase.

Foram 5 meses de trabalho com crianças em uma igreja na cidade de Suzano.

O objetivo inicial era trabalhar com crianças carentes da região, mas, com o passar da semana, o grupo de crianças reduziu-se praticamente às que já participavam da escola bíblica dominical da igreja. Se por alguma falha nossa com divulgação, ou se por plano de Deus, isso não foi nenhum problema.

Conseguimos ver, com o passar das semanas, a clara evolução das crianças no que diz respeito à convivência, amizade, disciplina, respeito, espírito de equipe, ideias acerca de Deus; fatores tão importantes na formação de indivíduos.

A grande verdade é que nenhum de nós imaginava que nos
 apegaríamos tanto à essas crianças; que as oficinas, que aparentemente tão simplórias, criariam um elo tão grande entre nós. E é aí que mora o grande aprendizado desse semestre: o que vai permanecer é o que você ensinou com a sua vida, com a sua convivência; o que você ensinou em termos teóricos, isso é secundário.

E a certeza desse apego só veio ontem, na última oficina que tivemos. Infelizmente, só estavam nesse momento o Will, Isaac, Carol Sertório, Bráulio e eu, porque os outros tiveram alguns compromissos inadiáveis. Tenho certeza de que o que nós cinco presenciamos ali não se apagará tão cedo: crianças, com as quais convivemos por tão pouco tempo, pedindo a Deus em oração que nós não nos esquecêssemos dele e fôssemos visitá-los no próximo semestre. Um já quase adolescente, que se dirigiu à Carol e perguntou: “
tia, vocês são mesmo OBRIGADOS a sair daqui?”. Quando perguntados o que eles achavam que poderia ter sido melhor nesse período, o mais peralta respondeu: “Eu queria que o Pezão tivesse vindo mais vezes”, outro disse que “eu queria que vocês não fossem embora daqui”.

Ah, coração enganoso! Porque não nos avisou que teríamos essa surpresa?

A partir de agosto, nos uniremos em parceria com a ONG Nossa Pátria, que fica em Poá, ao lado de Suzano. Lá, teremos um trabalho parecido com o de Suzano, mas em uma escala muito maior: trabalharemos em uma escola cedida pela prefeitura da cidade.

Será, sem sombra de dúvidas, um trabalho ainda mais desafiador, e agora eu tenho a certeza de que, ao final, ainda mais gratificante.

Estamos todos aprendendo. Aprendendo a lidar com os pequenos, aprendendo a transmitir a nossa forma de viver baseados nos princípios que Jesus nos ensinou de uma forma que não seja violenta. Mas acredito que estamos aprendendo, acima de tudo, a lidar com os nossos sentimentos. Estamos aprendendo a
ouvir o sentimento dos outros. Estamos ficando cada vez mais sensíveis à necessidade de cada um. E é isso o que mais me alegra, e é isso que nos motiva cada vez mais a sempre melhorar.

As crianças de Suzano não ficarão desocupadas: uma nova equipe tomará a direção do trabalho no próximo semestre. E esperamos, de coração apertado, que tudo ocorra bem por lá. Vamos tentar, ao máximo, acompanhar à distância o desenvolvimento deles.

No próximo sábado, será o encerramento oficial do trabalho em Suzano. Vai ser uma tarde inteira de recreação, com brinquedos como pula-pula, piscina de bolinha etc. Vamos tentar fazer algumas brincadeiras, além de teatro e uma música que as crianças vão cantar com a gente, da Banda Crombie. Tenho certeza de que será mais um dia marcante pra nossa equipe: será o último dia. O dia de curtir tudo o que não curtimos das crianças todo esse tempo. E o dia da despedida, que já me aperta o coração mais uma vez. E uma única certeza, a de que teremos esses mesmos sentimentos por muitas e muitas vezes no futuro que se traça diante de nós.

Ao coração apertado, alívio na eternidade.

- Caroline Silva (@keerolz)

"Arte se faz na contra-corrente, e não na conta corrente."

Inácio Araújo (crítico de cinema)

Servindo ao Senhor

Foto de Danilo Almeida - http://www.flickr.com/photos/sombraeluz/
(foto de Danilo Almeida)

Estava lendo Romanos 12, que é uma das minhas passagens preferidas, quando me deparei com o versículo 11: “Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, Servindo ao Senhor.” , essas três palavras latejaram minha cabeça e fiquei pensando: - mas o que seria, realmente, Servir ao Senhor?

Ao longo dos meus 20 anos de igreja evangélica, a resposta parece estar na ponta da língua, mas como vi, não, APRENDI que nem tudo do que se fala nas igrejas é absolutamente correto e verdadeiro, decidi refletir um pouco mais sobre a questão.

Comecei então a me perguntar, será que servir ao Senhor é sentar em um banco de igreja, ouvir as mensagens que duram horas e horas? Será que é pular, gritar, cantar, girar, chorar quando o grupo de louvor sobe ao “palco”? Ou será que é ouvir, um pouco, os problemas dos outros e finalizar a escuta com um “Jesus te ama e quer entrar entrar em seu coração”? Será que tudo isso é realmente Servir ao Senhor?

Bom, como sempre, nunca finalizo minhas reflexões, acredito que nossa vida é uma eterna aprendizagem e isso inclui nossos conceitos de certo e errado na caminhada com Cristo, mas aprendi que Servir ao Senhor vai além de tudo aquilo que já aprendi, que Servir ao Senhor é simplesmente cuidar e se dedicar àquilo que ele mais ama: o ser humano.

As injustiças, a crueldade, a fome e a miséria nos cercam todos os dias e acredito que em meio ao caos podemos fazer a diferença, Servindo ao Senhor.

No mais, sigo em frente, com as minhas reflexões e tendo como base Mateus 25: 35 e 36: “Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber, era estrangeiro, e hospedaste-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes me ver.”

Os três capítulos que consolidaram minhas reflexões foram Romanos 12; Mateus 25; I Coríntios 13.

- Natalia Silva (@natiantonia)

Não seguir o manual do bom comportamento

Jesus deve ter pensado muito bem em suas atitudes. Sabia que elas seriam comentadas pelos séculos vindouros, e precisava dar o exemplo.

Seu primeiro milagre? Não foi curar um cego, fazer um coxo andar, exorcizar um demônio: mas transformar água em vinho, e animar a festa.

Seus companheiros? Não foram os que comandavam a cultura e a religião da época; mas homens comuns, que viviam de seu trabalho.

Suas companheiras? Não eram como Marta, que fazia bem direitinho a tarefa doméstica; mas como Maria, que o seguia com liberdade.

O primeiro santo? Não foi um apóstolo, nem discípulo, nem um fiel seguidor; mas o ladrão que morria ao seu lado.

O sucessor? Não foi aquele que mais se aplicou em aprender seus ensinamentos; mas quem o negou no momento em que mais precisava de ajuda.

Enfim, nada do que mandava o manual do bom comportamento.

- Paulo Coelho

"Quanto mais bela a voz do cantor, mais difícil é de acreditar no que ele canta."

David Byrne (vocalista do Talking Heads)

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E hoje, mudou alguma coisa? E você, quer mudar alguma coisa?