Estive pensando

Estive pensando sobre aquilo que nos cerca, sobre o que devemos fazer e não fazemos, sobre a grande comissão e a grande omissão, sobre a lacuna que temos deixado pela nossa missão capenga. Pensei também nos órfãos e nas viúvas que não temos alimentado, pensei sobre as prisões que não temos visitado, quase sempre com a desculpa de salvar almas e que o corpo não deve ser salvo, será que só nós que nos dizemos cristãos não temos percebido? “A salvação das almas” diz o pregador, e todos gritam de jubilo, enquanto na esquina da igreja um homem morre de frio porque não tem onde morar. E a igreja? “Não este não é o nosso papel” diz um homem espiritual, e eu pergunto qual é o nosso papel? Não somos representantes do Reino de Deus, aquele que promete justiça e igualdade? E porque isso é a ultima coisa em que pensamos? Pensamos primeiro na tarefa que não nos foi dada, salvar almas.
Pensei ainda sobre mais uma coisa, sobre o amor e sobre amar, dizemos tanto que vamos ao mundo evangelizar, que somos missionários, que vamos fazer um evento pra trazer pessoas as igrejas, mas qual será a nossa motivação? Estive pensando muito nisso, talvez façamos isso porque estamos com a Verdade, ou por um desencargo de consciência, por uma obrigação que a nossa religião impõe.Dizemos:”Ide e fazei discípulos de todas as nações” mas esquecemos do principal, esquecemos daquilo que moveu o nosso Criador a vir até aqui, se esvaziar de si mesmo e se tornar um humano, se tornar pó do pó, para morrer numa cruz vulgar, ser envergonhado diante da sua criação, para que? Para nós tomarmos o seu nome para nós e esquecermos da sua motivação?
Não, Ele não morreu por nós por um desencargo de consciência, ou porque Ele é a verdade e queria mostrar isso para todos, Ele morreu por nós porque nos amou. Simples e direto, como o cristianismo é, como os seguidores dEle deveriam ser, nisso se resume toda a lei, toda a Bíblia, amar a Deus e ao seu próximo, isso é o que dá sentido ao que fazemos, ou ao que não fazemos. Antes de nos perguntarmos “o que?” deveríamos perguntar o “porque?”, a ação e como praticamos ela está totalmente ligado ao porque dela.
O amor não espera nada em troca, esse pra mim é o maior confronto, eu evangelizo ou ajudo as pessoas, esperando que elas aceitem o que eu digo, e se não aceitar? Eu vou deixar de amar? Eu vou continuar alimentando? Eu vou continuar visitando e ajudando? Ou o meu amor é interesseiro?
- isaac (@isaacpalma1)